
O mercado automotivo no Brasil vive um momento histórico de variedade de escolhas. No levantamento da premiação Melhor Compra 2026, a equipe da revista QUATRO RODAS avaliou mais de 300 modelos e versões disponíveis nas concessionárias.
Essa análise minuciosa acompanhou a estreia de sete novas fabricantes no país, todas de origem chinesa: Avatr, Denza, GAC, Geely, Jetour, Leapmotor e MG Motor.
Para definir os premiados, foram considerados preços de tabela, equipamentos, desempenho em testes, consumo, custos de seguro, revisões, peças de reposição, desvalorização e a experiência prática ao volante.
Todo o levantamento de dados ocorreu no mês de julho. Como prevê o critério anual, lançamentos ocorridos no próprio mês ficaram de fora por exigirem mais tempo para apuração rigorosa de custos e testes.
Geely EX2 Max: o grande campeão
– (Fernando Pires/Quatro Rodas) Uma rara combinação entre espaço interno, conteúdo e praticidade pelo que custa. Por acaso, é elétrico.
O Geely EX2 Max fez história ao se tornar o primeiro veículo 100% elétrico a conquistar a vitória geral da premiação.
Sua conquista vai muito além do tipo de motorização. Não existe no mercado atual uma entrega tão completa de espaço, recursos e dinâmica nessa faixa até R$ 150.000.
Espaço de SUV e custo de manutenção nacional
Embora seja classificado como um hatch, o EX2 tem o porte e a presença de um Volkswagen T-Cross. Seu porta-malas principal acomoda 375 litros, somado a um compartimento dianteiro de 70 litros.
Na rodagem, o modelo se comporta como um carro tradicional, superando buracos e valetas com facilidade e conforto.
A versão topo de linha Max custa R$ 136.800. Ela entrega sistemas ADAS de assistência, piloto automático adaptativo, câmeras 360 graus, faróis full-LED, freio de estacionamento eletrônico e saídas de ar para o banco traseiro.
Como pontos fracos, nota-se a ausência de iluminação no porta-malas e a exigência de cabo para conectar Android Auto e Apple CarPlay.
Desempenho e autonomia equilibrados
Ainda que venha importado neste primeiro momento, seu custo de peças se equivale ao de hatches nacionais, e as revisões têm valores muito reduzidos. A produção na fábrica da Renault no Paraná começa em setembro.
A parceria com a Renault e a rede compartilhada de atendimento trazem segurança essencial para o comprador.
O motor elétrico entrega 116 cv e 15,2 kgfm de torque, alimentado por uma bateria de 39,4 kWh que garante 289 km de autonomia.
O modelo atinge 140 km/h de velocidade máxima, oferecendo um conjunto maduro, seguro e muito racional para o uso diário ou viagens regionais.
Caoa Changan Uni-T: o destaque do ano
– (Fernando Pires/Quatro Rodas) Um carro de origem chinesa que dispensa qualquer sistema híbrido, em 2026, seria um estranho. Mas o Uni-T entrega muito.
Lançar um SUV médio puramente a combustão em pleno ano de 2026 parecia um movimento arriscado, mas a parceria entre Changan e Caoa provou o contrário.
Montado em Goiás, o Uni-T traz motor 1.5 turbo flex de 180 cv. Por R$ 174.990, ele custa o mesmo que SUVs compactos 1.0 turbo, entregando um nível de refinamento muito superior.
Design marcante e lista recheada de equipamentos
O espaço interno é de SUV médio, favorecido pelos 2,71 metros de entre-eixos. O pacote visual em estilo SUV cupê chama atenção e se destaca facilmente nas ruas.
A versão única Infinity traz bancos elétricos com ventilação, rodas de 20 polegadas, ar-condicionado bizona com borrifador de perfumes, teto solar e manobra remota para vagas estreitas.
O modelo venceu a categoria de SUVs até R$ 200.000 por unir essa recheada lista de itens a custos de manutenção inferiores aos de muitos utilitários menores.
Pontos de atenção no modelo
Apesar das virtudes, a ergonomia ainda pode melhorar: o volante não traz regulagem de profundidade.
O câmbio automatizado de dupla embreagem com sete marchas por vezes hesita nas trocas, e o comando da alavanca exige dois toques, algo pouco intuitivo no início.